Ninguém me disse que ter filhos era isso

A verdade sobre os primeiros momentos de maternidade – em 3 capítulos

A notícia da maternidade é um impacto único da vida da mulher. Nada mudará esse fato. Você vai dormir e, quando acordar, o bebê continuará lá; mesmo que pareça impossível, é estranho perceber que é mãe.

Normalmente a primeira viagem que a gente tem é uma imagem bonita (com blur) da gente com um vestido de voil marfim, o barrigão lindo, sorrindo, em um campo florido, descalça, andando de mãos dadas com o pai da criança, e uma nuvem de coração no céu azul.

Vamos encarar essa nova fase da vida, essa nova figura que está para sair da sua barriga ou da sua xoxota em poucos meses.

Se tudo correr bem, sua pressão não subir e se você conseguir engordar um pouco mais de um quilo por mês, você pode esperar por meses incríveis. No começo sua barriga fica igualzinha, e você só ficará convencida de que tem alguém la dentro depois da ultra. Depois ela começa a crescer pros lados e você dá uma embarangada. Claro que também tem os enjôos, que vêm de repente, e a azia.

Na padaria e na feira você ganhará uma provinha de tudo que olhar com simpatia, aproveite.

Lá pelo sétimo mês você começa a pedir arrego, e assim permanece, cada dia mais redonda, até o oitavo mês; então lá pela 38a semana, fique esperta que está chegando o grande momento.

Durante a gravidez, nós mulheres, desenvolvemos uma linda relação telepática com aquele ser que nos chuta as costelas. Conversamos com ele, a gente ali redonda e o bebê lá dentro, quietinho. Podemos leva-lo dentro da barriga pra qualquer balada, praia, restaurante, portanto, nunca se esqueça de perceber que, apesar de estar com a pele esticada e andar feito pinguim, você ainda é mulher, uma pessoa normal, que pode ir e vir. Parece tão óbvio, mas aproveite seus últimos momentos “a nível de” indivíduo.

Com ou sem bolsa estourada, com ou sem data marcada, chegará a hora de parir.

Ahhhh, minha cara. Aí é que o bicho começa a pegar. Você vai pra maternidade com aquela maleta e o nariz emborrachado (e o andar de pinguim), segue para o quarto, pré-parto, sala de parto. Lá vai, força na periquita, literalmente. Há mulheres que fazem “rá” e – zupt – o bebê sai escorregando xoxota afora. Maravilha, você lá esbodegada, toda arreganhada, olhando pra cara do seu marido, que conheceu você num restaurante, toda cheirosa, magrinha, tratada. Nessa hora o bofe tá lá, com os olhos arreganhados, vendo você com a cara roxa inchada. E de touquinha branca. Os peitões esparramados pro lado, enoormes, com aqueles bicos gigantes pretos, e a coitada da periquita, mais poderosa do que nunca, ali, descansando depois do kit cabeça-ombro-joelho-e-pé. Ufa, descanse.

Tem também a opção cesárea, que é politicamente incorreta, mas que consiste em você marcar uma horinha, de modo que possa se preparar toda, fazer seu cabelo, unhas massagem. Chega e vai pro mesmo circuito: quarto, pré-parto, sala de parto. O povo da sala de parto batendo aquele papinho besta, e 15 minutos depois – tcham- seu baby fora da barriga. Mais alguns minutos, barriga costurada, periquita preservada, e aquele bebê ali, te olhando, todo amassadinho.

Aquela bonita relação telepática que você construiu ao longo de nove meses foi uma viagem. Ele não se comporta como quando ele tava na barriga. Tava pensando o que? Que ele ia te obedecer, já que vocês trocaram altas idéias telepáticas? Esqueça, ele chora, chora e chora mais. E lá vem a enferemeira trazendo ele como se ter uma criança sugando seus peitos fosse uma coisa normalíssima na sua vida. Você começa, nesse momento , a perder sua identidade.

Seu novo nome? Mãe

Continua….

p.s – o texto não é meu, é de Andrea Cals. Ia por no final do último capítulo.

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6 comentários sobre “Ninguém me disse que ter filhos era isso

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