Em defesa dos fumantes

Fumar faz mal. Isso todo mundo sabe. Na faculdade de medicina a gente aprende os detalhes de como o cigarro prejudica o corpo do fio do cabelo ao dedão do pé. Então não vou fazer um post defendendo o cigarro, lógico.Mas e os fumantes? Numa época não muito distante fumar era considerado um ato glamuroso, elegante. Já foi também um sinal de rebeldia, de masculinidade, de charme e de liberdade. Hoje, o fumante é o leproso ou o aidético de ontem: devem ser evitados. São prejudiciais, especialmente às crianças.

Eu já trabalhava (vê-se então que não faz tanto tempo assim ;-)) e era permitido fumar no próprio ambiente de trabalho. Numa mesa de operações do mercado financeiro, onde dezenas de pessoas trabalham juntas, fumantes e não-fumantes conviviam em harmonia.

Até que na esteira do modismo norte-americano (pessoas que adoram botar reparo na vida do próximo, como se cada um fosse a perfeição em pessoa) iniciou-se em todo o mundo o movimento de exterminação à fumaça do cigarro. Como se ela fosse a inimiga número 1 do cidadão de bem.

Paulatinamente passou a ser proibido fumar em hospitais (hoje em dia é até difícil acreditar que há uma geração atrás as pessoas comemoravam o nascimento de um rebento com rodadas de charutos no quarto da maternidade) cinemas, teatros, aviões, ônibus, taxi, prédios, restaurantes e até em alguns lugares abertos (na Disney por exemplo, só é permitido fumar em uns cantinhos isolados pré-determinados). Nos EUA (lógico) existem até condomínios residenciais em que o fumo é proibido. Isso mesmo que você entendeu, a pessoa não pode fumar dentro de sua própria casa.

Em nome da defesa dos não-fumantes contra os males causados pela fumaça do cigarro, isola-se os fumantes, que são considerados por muitos como seres nefastos, sem caráter, nojentos e prejudiciais.

Já ouvi (várias vezes) mães que impedem avós (paternas, obviamente) de chegarem perto de seus filhos por causa do cheiro do cigarro. Como se o cheiro em si fosse capaz de provocar doenças terríveis. Claro que tem gente muito sensível a odores…mas alguém já ouviu falar de alguma avó que não pode pegar seu neto no colo porque estava com muito perfume ou porque tinha chulé?

Eu acho que as pessoas que fumam deveriam procurar ajuda para parar de fumar. Para benefício primeiro delas próprias e em segundo de quem convive com elas. Mas isso não signfica que eu concordo com essa verdadeira segregação que vemos hoje.

A fumaça do cigarro é prejudicial sim…como é prejudicial a poluição, a alimentação desregrada, a vida sedentária, o excesso de televisão, a auto-medicação, a bebida alcoólica, os regimes malucos, não usar fio dental depois das refeições, etc, etc. Atire a primeira pedra o ser perfeito, que faz tudo como mandam os manuais da vida saudável e cuja saúde irretocável seria destruída pelo vizinho fumante.

Eu não defendo o cigarro, defendo a harmonia entre as pessoas, defendo o convívio entre os diferentes, defendo o respeito (que inclui também não baforar sua fumaça direto na cara de alguém) e defendo, conseqüentemente, os fumantes.

(ps: antes que perguntem já fumei, pouco, hoje não fumo mais)

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17 comentários sobre “Em defesa dos fumantes

  1. Lu Brasil

    Ai amiga impossivel, terei que discordar do seu post, do inicio ao fim.
    Odeio o fedor de cigarro, quanto mais longe de mim melhor, cada um escolhe seus vicios e aguenta a segregação que ele trouxer.
    Perto de mim peço mesmo pra apagar. Dane-se.

  2. Mariana

    Eu detesto cigarro, mas respeito quem fuma (longe de mim obeveo).

    Existia um post da Lu Brasil depois desse ou eu estou ficando maluca? tava lendo e sumiu.

  3. Jane Murback

    Tenho que admitir.
    As vezes tenho vontade de fumar, dependendo da comida ou da bebida ou do local.
    E o faço, se tiver cigarro por perto.

    Mas que cigarro é fedido, isso é.
    E que tem gente que odeia, isso tem.
    Então em nome da harmonia creio que os viciados estão fritos e sofrerão preconceito mesmo.

  4. srinsonia

    Bem,
    sou ex fumante contumaz (já parei e voltei a fumar algumas vezes ao longo dos últimos 5 anos).

    Mas agora estou “sóbrio” há 6 meses.

    Sempre tenho vontade de colocar pra dentro do corpo aquela fumaça cancerígena que dá um alívio psicológico e ilusório…
    Bom e ruim demais !

    Eu fumava sozinho.
    Uma atividade solitária.
    E mesmo assim e cheiro ficava em mim e todo mundo me perguntava: “Fumou de novo, né ?”

    Não fumo mais…
    Doenças… Mau cheiro…
    Fico sempre lembrando disso pra me convencer a não cair na tentação do vício.

    Sou contra o cigarro mas não contra os fumantes.
    Que eles tenham força pra sair dessa !

  5. Amiga, também sou contra o cigarro, não contra os fumantes desde que eles não fumem perto de mim..

    Ninguem é obrigado a ingulir aquela fumaça e o fedor horrivel do cigarro….

    bjks”””

  6. PAULI

    Hum Re, infelizmente discordo de tudénho e concordo com a Lu B. Viver em harmonia é saber que seus limites terminam onde começa os dos outros e a fumaça do cigaro definitivamente não respeita isso. E não tem como ser contra o cigarro e não contra os fumantes, isso é balela, porque o cigarro não se acende sozinho.

  7. Vocês vão me execrar, mas o cheiro do cigarro do meu pai, misturado ao de uma dose de whisky honesto que ele tomava nos finais de semana era tudo de bom.
    Ele era elegante, cheiroso e fumava com classe.
    Não tinha nhaca nenhuma e sinto o cheiro com uma saudade de lascar até hoje.
    Beijo

  8. É querida.. eu também sou uma que discordo completamente do que você disse.
    Quer fumar que fume, mas bem longe de mim.
    É horrível aquela fumaça e a falta de ar que sinto por causa dela.
    E acho certo sim em locais fechados e/ou públicos ter essa proibição.
    Porque todo mundo sabe que o cheiro e a fumaça não respeitavam a “linha imaginária” que existiam nos restaurantes por exemplo, não é mesmo?
    Por isso, como defender harmonia, o convívio? acho que nesse caso ela fica um tanto longínqua. “defendo a harmonia entre as pessoas, defendo o convívio entre os diferentes, defendo o respeito “… mas de quem?
    Creio que respeito, harmonia, satisfação… para um não fumante é não ter ninguém fumando (ou fedendo cigarro) por perto.
    Meu pais fumam desde que me lembro deles rsrsrs.. e até hoje a guerra é pra eles fumarem, pelo menos, fora de casa, já que parar é tão dificil

    Boa essa discussão
    Bjo

  9. Ale Fiorini

    Oi Renata!
    É bem difícil concordar com você… é muito bom a gente defender a harmonia nas convivências entre as diferenças, mas isto exclui completamente a falata de respeito ao teu próximo, e, me desculpe, a meu ver não há ser mais desrespeitoso com o próximo que um fumante, que chega a acender seu cigarrinho tranquilamente num restaurante, qdo o ser acaba de comer, mesmo que o ser ao lado esteja ainda comendo (com ou sem crianças, com ou sem bebês, com ou sem idosos…), e dane-se se está fedendo cigarro, ele já cabaou e isso é o que importa… Isso é harmonia de diferenças?
    E eu não sei se meu círculo de amizades está restrito ou acabado, mas eu nunca conheci um só fumante que não fosse extremamente egoísta na hora de fumar.
    É legal que haja harmonia entre as diferenças, desde que isto não inclua acabar com a saúde dos outros por tabela.
    Beijos,
    espero poder concordar com vc nos próximos posts…
    Ale Fiorini

  10. Concordo inteiramente com o texto “em defesa dos fumantes”. E gostaria de reproduzir aqui parte de uma carta que enviei ao IDEC – Instituto de Defesa do Consumidor. Apesar de fazer um trabalho maravilhoso em defesa de nós, consumidores, algumas matérias vêm adotando uma postura a meu ver de intolerância, baseada em estudos médicos que não são totalmente rigorosos, porque não é possível, hoje em dia, que se realizem estudos experimentais com humanos. Na carta — que acabou provocando um convite para um debate na CBN, super cordial, mas com posições em campos opostos — disse mais ou menos o seguinte:

    Pode haver sentido em campanhas de natureza ético-moral, que envolvam a sexualidade responsável ou o combate às drogas pesadas e ao narcotráfico, mas, no caso dos cigarros, vamos não confundir campanhas educativas (superbenvindas), com campanhas que estigmatizam os fumantes? Os norte-americanos iniciaram uma caça aos fumantes de tal modo obsessiva, que hoje um fumante lhes parece mais perigoso do que alguém com um rifle em seu carro. É isto que queremos no Brasil? Os males do fumo não autorizam uma estratégia social de polícia de costumes. É este rumo equívoco que está tomando o tema do fumo no Brasil, seguindo o molde norte-americano. O IDEC deve lutar pela saúde possível, não pela saúde perfeita, que é inatingível — salvo na cabeça do Michael Jackson. Buscamos a saúde perfeita no Brasil?

    Quanto à epidemiologia do risco do fumo, não há como desconhecer os problemas e limitações da inferência científica ou do método experimental para a definição de políticas públicas. Os dados das pesquisas epidemiológicas consideram o número de cigarros consumidos pelos fumantes que adoecem (light-smoker, heavy smoker etc.), mas não dão conta das situações concretas em que o cigarro é consumido. Hoje em dia, sabe-se que até a qualidade da relação entre a enfermeira e o paciente hospitalizado afeta o efeito de um medicamento. Se o consumo do cigarro é reduzido e ritualizado (por exemplo, depois da refeição, ou numa festa), seus impactos nocivos sobre a saúde podem ser reduzidos ou até benéficos, se vier a acalmar a pessoa. A imprensa – muito menos o IDEC — não deveria iniciar cruzadas contra os fumantes e o fumo baseada apenas no conhecimento epidemiológico, que desconsidera o peso do estilo de vida, a interação entre fast-food e fumo, entre desemprego e fumo, entre stress e fumo, entre solidão e fumo. Que desconsidera a presença de agrotóxicos e pesticidas nas plantações!

    O problema da agressão química à lavoura do fumo é um aspecto essencial, desconsiderado pelos antitabagistas nos Estados Unidos e no Brasil. Desde a década de 1960, as indústrias investem pesadamente no aumento da produtividade por hectare plantado, sem avaliar os efeitos tóxicos sobre a planta e sobre o fumante. O cigarro de nossos pais e avós, antes da adubação química pesada da fumicultura, era um outro cigarro. Não por acaso, os cigarros sequer tinham filtro naquela época, antes dos anos 70. Esta é a campanha adequada: produzir um cigarro que deixe de ser uma bomba química. Isto é possivel! Meu pai – que fumou Hollywood, um maço por dia, até os 60 anos — nunca teve afecções pulmonares. Morreu com 92 anos, dormindo, cansado da vida. Na verdade, houve gerações de fumantes expostos a outro tipo de cigarro. É possível recuperar os padrões antigos.

    Não há como desconsiderar o aspecto moralista – de polícia de costumes – que a classe média e médica está assumindo. Há algo de estranho no ar, pior do que a fumaça dos cigarros. Há tempos recebi um questionário da OMS (em inglês) indagando se minha cidade havia adotado o critério de “cigarrette-free zone” na área escolar. Respondi que, no Terceiro Mundo, há dois pontos mais imperativos: primeiro, que as crianças tenham acesso a escolas e a escolas melhores; em segundo lugar, que sejam “cocaine-free” e “gun-free”.

    um abraço a todas,
    Prof. Luiz A. de Castro Santos, sociólogo.
    63 anos. Fumante de 4 cigarros por dia durante quase 20 anos — deixei de fumar porque meu filhinho de meu segundo casamento pediu. Tenciono voltar aos meus 4 por 4 (seg.ter.quar.quinta), sexta e fim de semana no máximo 6 a 8 por dia, quando fizer 80 anos — se chegar lá. Abraços, Luiz

  11. Marco Antonio

    Também concordo integralmente com o texto e, o que parece “estranho” a algumas pessoas que possuem neurônios ativos, realmente é estranho mesmo…

    -Por que tanto cerceamento da individualidade em favor de um pretenso bem “Comum”?
    -Por que tanto louvor a movimentos “comunitários” e quase nenhum às inciativas individuais?
    – O que esta onda anti-tabagista mundial tem a ver com tudo isso?
    -Acredito que achei o fio da meada, leiam algumas frases do artigo “Raízes do mundo novo” e assim como eu, é bem provável que vocês fiquem um pouco mais alertas em relação à essa onda “politicamente correta”.

    …”Não há hoje uma só “causa”, um só slogan de luta revolucionária (socialista/comunista) ou de “transformação social” que não tenha se originado em comitês técnicos e consultivos fora de todo controle popular e eleitoral, sendo em seguida espalhado pelas várias nações como produtos espontâneos do movimento histórico impessoal, se não da providência divina. Revolta feminista, abortismo, quotas raciais, movimento gay, revolução agrária, indigenismo, ecologismo, antitabagismo, liberação das drogas pesadas – todas as bandeiras de luta que se agitam no mundo podem ser rastreadas desde o cenário público até sua origem discreta nos círculos do internacionalismo iluminado. E para disseminá-las não há somente as “redes”, estendendo-se até o infinito, mas todo um sistema burocrático milionário: a ONU tem mesmo cursos universitários para formar técnicos em “criação de movimentos sociais” no Terceiro Mundo. Movimentos populares espontâneos, é claro, e por espontâneo milagre harmonizados na concepção integral de uma nova ordem da civilização.

    A bibliografia a respeito traz documentação mais que probante, mas, protegida pela indolência intelectual das massas, levará alguns séculos para tornar-se objeto de conhecimento comum. E então a humanidade já não terá interesse em conhecer sua origem: pois será a “humanidade nova”, embriagada da ilusão de haver-se criado a si mesma pela força espontânea do progresso e das luzes.

    Leiam o texto integral em:
    http://www.olavodecarvalho.org/semana/050528globo.htm/050528globo.htm)

  12. Eu ainda fumo, mas adoro propagandas contra os cigarros, principalmente as leis kkkkkk
    Quem sabe eu consiga parar algum dia, será?
    Por enquanto, não estou com a minima vontade de parar.
    Parabéns pelo texto.

  13. Mari Simões

    Adorei o texto. Sou fumante há muitos anos e sempre tive o bom senso de não acender cigarros onde causo incômodo nas pessoas que estão a minha volta.
    Também não vou morrer de ter que levantar da mesa para acender um cigarro do lado de fora do estabelecimento.
    Sou a favor a lei maaaaaaaaaaaas…..
    …acho engraçadissimo essas pessoas que dizem que odeiam o cheiro de cigarro, que são obrigados a engolir o cheiro deles e a voltar com o cabelo fedido. Bem, vcs também não são obrigados a ficar do nosso lado e tem o livre arbítrio de se mudar de lugar ou reclamar caso a fumaça incomode.
    Mais engraçado ainda que , até hoje, nenhum não fumante havia se pronunciado a respeito, porque já existe uma lei em vigor desde 1996 que proíbe o cigarro em locais públicos e fechados.
    Mas fica bem mais fácil a gente voltar a era da ditadura não é mesmo? E ainda por cima, só de quebra, contribuir em mais uma propaganda pré-eleitoral.
    Afinal de contas, para que o governo gastar dinheiro com o que realmente importa como saúde pública, educação e segurança, se ele pode gastar com nós, fumantes marginais?
    Ainda mais porque nós fumantes, somos os maiores poluidores do planeta. Caminhões, motos, carros, termoelétricas, Cubatão!Nada disso conta, mas nós, fumantes sim, somos os maiores destruidores da Terra.

    Democracia 0 x 1 Ditadura

  14. Hoff

    O excesso sempre é prejudicial. Devemos sempre buscar o meio termo, o bom senso. Eu uso esse princípio para desenvolver minhas idéias. Sou um defensor ferrenho das liberdades individuais e da justiça. E sobre o tabagismo eu penso o seguinte: fumantes e não fumantes devem ser respeitados. É preciso buscar o equilíbrio. E, para que isso aconteça, no caso do tabagismo, os fumantes é que precisam ceder mais, porque não há como negar que o cigarro é prejudicial à saúde. Diversos experimentos científicos provam isso. Também é verdade que há casos de pessoas, como o pai do Luiz Antonio que postou acima, que fumam a vida inteira e vivem até os 92 anos. Mas todos nós sabemos que a longevidade é determinada por vários fatores, dentre eles a genética e a alimentação. Por isso, exemplos como aquele não servem de argumento. As pessoas que decidem não respirar a fumaça do cigarro têm medo de morrer, agem em defesa de suas vidas, e isso é indiscutivelmente justo. Também foi postado acima, pela Mari Simões, que as leis que impedem os fumantes de fumarem na presença de não-fumantes representam uma forma de retorno à ditadura. Essa afirmação não tem sentindo. Essas leis servem para garantir que o direito de não respirar fumaça e preservar a própria vida seja respeitado. Esta senhora também acha razoável que os não fumantes se retirem do ambiente em que se encontrem quando um fumante acender um cigarro. Ora, como isso pode ser justo? Se eu estou comendo em uma mesa, e uma pessoa que já comeu decide acender seu cigarro, eu devo interromper o meu jantar e me retirar até que a pessoa termine de fumar? Claro que não. Todos têm o direito de respirar um ar puro. Se você quer fumar, é porque você acredita que o prazer da tragada compensa o risco que você traz à sua saúde. Mas você não pode obrigar todos a sua volta a fazer a mesma escolha.
    Mas, como eu disse acima, os fumantes também devem ser respeitados. Eles são pessoas livres, têm livre-arbítrio, e decidiram arriscar a saúde em troca do prazer. Isso é justo, cada um faz o que quer da sua vida. Nós podemos defender nosso direito de respirar ar descontaminado de forma civilizada, sem ofensas, sem discriminação.

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