PITI

 Quando eu era bobinha e não acreditava no ditado de quem cospe pra cima cai na cara, eu profetizava que quando tivesse um filho jamais o levaria ao mercado para fazer compras adultas e mensais, cheias de sabão em pó, papel higiênico e arrozfijon. Eu pensava, na minha inocência, que meu filho só iria comigo ao super para comprar sobremesas delís, ingredientes faltantes em pratos pheenos e rápidos, pães e frios.

Pobre de mim. Na prática, a teoria é outra. Quando a água bate na bunda, e você abre sua geladeira e ouve apenas um eeeeeeeccooooo, e quando acabam todas as possibilidades de fazer o milagre da multiplicação dos pães, do guardanapo, da pasta de dente e do sabonete, a única e invevitável saída é ir ao supermercado, ou melhor, ao hipermercado, ou pior melhor ainda, ao SAMs Clube.

E hoje foi dia de SAMs, com 100% dos moradores da casa, ou seja, eu, Alê e – pasmem – o João, apesar de toda minha promessa de que isso jamais aconteceria. Sim, ele já tinha ido outras vezes, mas hoje ele fez o que eu sempre via o filho alheio fazendo e desconjurava: deu um puta piti (perdão pelo puta, pheenos).

Ele queria um Bob Esponja porcaria, que era chiclete, e que era caro, e que eu não acho que ele tem que ter aquilo, e por isso eu disse a ele um sonoro e redondo NÃO.

E isso me custou passar um vexame gigante, sem contar a raiva, quando ele se jogou no chão, berrando em altos brados e chorando, reinvindicando seu direito de ter a droga do Bob Esponja. Ah, e o nariz cachoeira escorrendo aos litros (nojenta essa parte, desculpem de novo pheenesses).

Aí eu fiz o que a Super Nani faz. Me abaixei e falei com ele firmemente, olhos nos olhos, voz de mãe mais que perfeita e cara de quem tem alguma autoridade: João, pára com isso, ou nós vamos embora agoráaaaa (acho que ele deu risada pro dentro, porque o que eu faria com o carrinho lotado até a tampa? Deixaria lá? E o tempo perdido?). A mamãe já disse que não.

Acho que meu erro foi ter repetido a tão temida palavra não. Aí que o bicho pegou, a cobra fumou, a porca torceu o rabo. E o pai da criança, obvemã, a kilômetros dali, lendo os rótulos de todos os produtos disponíveis, por menos que ele pretendesse comprar qualquer um deles.

O que fazer? Igonorá-lo, lógico.

Lógico mais ou menos, porque o cara berrava e chorava pra dedéu e ignorar seu filho aos berros atrai misteriosamente os olhares de todos os associados do SAMs, todos me reprovando e querendo meu fígado, me achando sub nitrato de pó de mãe.

E embora nada disso me afetasse (mentira) eu andava lindamente (mentira também) pelo super com o Johnny Boy chorando atrás de mim. E o Alê atrás dele, mas beeeeeeem atrás, tipo uns 200 metros. Oi?

Enfim, peguei ele pelo braço e falei que eu não ouço quem fala berrando, que meu ouvido só ouve quem fala direito, e sem chorar, e vem cá que eu vou limpar esse nariz. E ele parou de chorar misteriosamente. Nessa hora, o Alê-herói finalmente nos alcançou, e falou com sua voz grossa e estridente, fazendo o SAMs tremer: vem filhinho, vem aqui com o papai.

E com essa história, please, me ajudem a identificar meu problema:

1 – TPM galopante

2 – Falta de vitamina P

3 – Vocação para rica e queda de cabeça na real

4 – Nenhuma das anteriores

5 – Se você votou na 4, deixe aqui seu palpite (e o nome do remédio), brigadão.

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19 comentários sobre “PITI

  1. Tamara

    Jane,

    Se importa não(coisa facil pra nós maes pheenas e adultas),mas é serio o meu filho começou com isso e antes que eu gritasse sai andadando, dei uma a alguns cm de distancia , ele percebeu que não ia ceder a birra , veio correndo e Pulpa ,mae!!!Pulpa…
    AH!!!!!!! o detalhe é que ele queria uma ´´zaqueta dins´´
    em pleno dezembro…
    Mãe sofre !!!
    bjinhos

  2. Geraldine

    Olha, dá vontade de dar uma palmada “daquelas”, né? But, sou contra, apanhei pra dedéu qdo criança, não fiquei revoltada (só tremo qdo olho um tal cipó de vassourinha) mas não concordo com agressão física seja ela o nível que for. Aqui em casa o decreto começa antes mesmo de sairmos, explico as regras antes de sair: vc vai ter direito a pedir uma única coisa, tipo assim, sabe? E esse infeliz desse Bob Esponja já me fez pagar um mico-mãe tb. Tu achas que eu vou dar dez reais naquilo? Never, ever, ever! Tb tem o lance da negociação: quer o Bob Esponja, filho? Tá bom, olha, tô colocando no carrinho. Se ele quiser outra coisa, digo que só tenho dinheiro pra uma só e ele tem que optar. Muitas vezes eu trago coisas que EU considero superflúas porque, er…eu tb trago coisas que MEU marido considera superflúas, rs. Beijos!

  3. Danny

    Atire o primeiro manual de mãe mais que perfeita quem não passou por isso!

    NA verdade nesses momentos minha vontade é largar criança e marido omisso.

    Junte a situação qdo os dois filhos resolvem brigar….

    Jesus michicoteia!

  4. Lenita

    Jane, BEM VINDA À CONFRARIA, irmâ! Prá mim os “pitis” dos “petits” (desculpe o trocadilho) são o batismo de fogo de todas as mães. Mas, para evitar replay da tragédia, tente um truquezinho banal aprendido com minha ex-sogra: nunca, jamais, em tempo algum dê, imediatamente, o que seu filho está pedindo, seja um saquinho de balas ou um brinquedo. Diga que, no momento, está só com o dinheiro necessário para aquelas compras do carrinho, mas chegando em casa vocês vão conversar. Assim, você toma um fôlego e a criança aprende que tudo deve ser conversado antes. Ah, marido tem que entrar nessa, também, senão perde a força. Boa sorte.

  5. Minha filhota, a Analú, não costuma abrir o berreiro assim no mercado. Mas ela só tem um ano e meio. Quando ela fizer 3 anos, talvez eu passe por essa experiência doida que vejo muitos pais passarem entre gôndola e carrinhos abarrotados.

    Minha primeira vez aqui, adorei o blog.
    Beijos!

  6. Ana Flávia BH

    Eu tb jurava que não levaria o Theo (2a e 4m) a lugares, tipo supermercado…
    Tá, né? Ele, de vez em quando me apronta algumas. E volta e meia sou obrigada a pegá-lo a força, no colo; fingindo não perceber os olhares assassinos ao redor.
    Por esta e outras é que vivo dizendo: aponta o dedo ou o olhar, quem nunca foi mãe (ou apagou da memória), este tipo de situação.
    Antes de ser mãe, eu achava e tinha mil e uma opiniões sobre este tipo de cena… Hoje em dia? Se tiver uma criança fazendo isto perto de mim; o mínino que eu posso fazer é ser solidária à mãe e fingir que não estou vendo. Simples assim. Parte do “código secreto das mães-que-tb-pagam-mico”.
    Pq fácil é criticar, néammmm?
    Bjo

  7. Acho que é por isso que não tenho filho. Hahah
    brincadeira.
    Mas do jeito que sou sem noção é provavel que eu grite mais que a criança ( se eu ficar muito irritado ) só para ela ver como isso é chato.

    Ou simplesmente deixaria gritando e esperneando como tonta.
    A maioria desiste em menos de 5 minutos ( claro que esses 5 minutos parecerão eternos ). Mas você fica na vantagem de que dificilmente a criança repetirá o ato. Se você der o que quer, ela fará isso com mais frequência.

    Outra coisa, como se está no supermercado não tem como dar uma “punição” no momento ( além do que não seria nada “pheeno” ).
    Assim que chega em casa, fala para criança que não gostou do que ela fez e aplique uma punição. ( corte a sobremesa, sei la ).

    Assim ela verá que além de não ter ganho, ainda saiu perdendo.

  8. Pingback: Sapatos! Sapatos! « Mulheres (Im) Possíveis

  9. Val

    Jane,

    Quando terminei de ler seu post, não sabia se ria ou chorava, passo por tudo isto e muito mais… minha pequena de 03 anos e meio está uma super “rebelde sem causa” rs… e eu tb nunca me imaginei numa cena destas e “metia o pau” nestas mães irritantes que andam c/ cara de passiva e o filho berrando e “catarrento” rssss e eu falava “não é possivel… pq não deixa o filho c/ alguem pra ir às compras…” rsss agora eu sei “o porque” rssss tudo…tudinho mesmo que eu sempre achei o “cumulo” acontece comigo, inclusive o maridinho a muitos metros de distancia rsss
    Adorei o blog,
    Abç´s
    Val

  10. simone

    Ai Jane, pelo jeito ninguém tem o remédio, nem eu. Quando não tinha filhos e via essas cenas pensava que nunca iria acontecer comigo: ledo engano, e como acontece, todo mês. Aff. Malditos salgadinhos, bob esponja, homem aranha.

  11. Ale Fiorini

    Despoés a mulherada vira tudo sapatão e os maridos reclamam…
    E sobre a identificação do seu problema, voto na 4 mas não tem remédio não.
    Uma vez li em algum lugar que quando o descontrolado ser estiver assim totalmente descontrolado, já esgotadas todas as possibilidades de negociação e argumentos, o negócio é abraçar à força, tipos camisa de força, e falar baixinho nosouvido até a fera acalmar. Olha que eu sei lá se isso funciona, mas é uma idéia.
    bjs

  12. Fabiana

    amiga eu sempre dou um carrinho mini pro PP, assim ele fica entretido se achando o rei das compras e nem olha muito pra bob esponja e cia…

    que tal um movimento, abaixo assinado ou coisa parecida???? já notou que coisas coloridas, brinquedinhos inúteis e bobinhos, doces, chocolates, bolachinhas mil e afins ficam todos nas prateleiras e gondolas inferiores????locais em que só os olhinhos das nossas ferinhas olham com toda atenção do mundo??? DEVERIA SER PROIBIDO, ISSO É UM ABUSO DOS MERCADOS RSSSS

  13. luciana

    Eu falo assim, pertinho e muito brava:
    – Beatriz, eu vou contar até três, se vc não levantar desse chão e parar de chorar vou arrumar um lugar para você ficar de castigo nesse supermercado. (ou vamos embora já, se não for no mercado, lógico…)
    Outro dia rolou um desses na sorveteria e uma mulher até me deu parabéns, de tão rápido que acabou o piti, mas olha, ponho mesmo de castigo, até em pilar de shopping…. afff!!
    Beijocass

  14. Jane Murback

    Jane diz:

    Amados, valeu por todas a dicas. Sinto informar que eu já as pratico em larga escala, e com isso contar-lhes que as vezes o troço falha.

    Mas pra quem não tem filho, é só as vezes tá. Desanimem não.

    O meu filho também é que nem o da Brasil, só faz isso quanto ta com sono. Oi?

    Tiago Buckajflasjfslfjsk, bem vindo. Achei super digna a participação masculina nesse post. Tudo bem que o Sand e o sr. Insônia meio que tiraram o corpo fora, mas ta valendo, néã?

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