Uma forma didática de explicar a crise americana

Como todos sabem estamos passando por uma grave crise econômica mundial e mesmo que o Luiz Inácio (me recuso a chamar o presidente como se um molusco fosse) diga que estamos imunes à crise… eu não acredito.
Aliás, óbvio… quem acredita em político ????

Mas enfim…  Pq tantos empresas financeiras americanas estão quebrando ?
Acho que todos lembram da crise das hipotecas que ocorreu a menos de um ano no mercado americano. Um pequeno resumo:
Empresas especializadas em empréstimos, visando aumentar a margem de lucro, supervalorizam os imóveis para que pudessem emprestar dinheiro à juros superiores ao do mercado maiores do que os tradicionais, recebendo como garantia hipotecas (direitos sobre imóveis).

Após algum tempo, visando obter mais uma fonte de renda, essas empresas transformaram as hipotecas (direito sobre imóveis recebidos como garantia do pagamento do empréstimo) em títulos a serem negociados no mercado. Esses títulos foram comprados pelos bancos, com a crença de lucro a longo prazo.

Entretanto, uma vez que os empréstimos foram realizados para pessoas que não tinham respaldo financeiro para quitar os débitos, as dívidas vencidas começaram a não serem pagas. E com isso as financeiras quebraram.

Com a quebra das financeiras e a falta de crédito dos devedores, os imóveis foram tomados pelos bancos (pois haviam comprado os títulos hipotecários). Porém, uma vez que vários imóveis foram alvo dessa ação, o valor venal deles diminuiu e os títulos comprados pelos bancos acarretaram em prejuízo e a consequente falência.

Abaixo uma tradução simplificada do problema:

O ‘seu Biu’ tem um bar, na Vila Carrapato, e decide que vai vender cachaça “na caderneta” aos seus leais fregueses, todos bêbados, quase todos desempregados.
Porque decide vender à crédito (fiado), ele pode aumentar um pouquinho o preço da dose da branquinha (a diferença é o sobrepreço que os pinguços pagam pelo crédito).
O gerente do banco do ‘seu Biu’, um ousado administrador formado em curso de emibiêi, decide que as cadernetas das dívidas do bar constituem, afinal, um ativo recebível, e começa a adiantar dinheiro ao estabelecimento tendo o pindura dos pinguços como garantia.
Uns seis zécutivos de bancos, mais adiante, lastreiam os tais recebíveis do banco, e os transformam em CDB, CDO, CCD, UTI, OVNI, SOS ou qualquer outro acrônimo financeiro que ninguém sabe exatamente o que quer dizer.
Esses adicionais instrumentos financeiros, alavancam o mercado de capitais e conduzem a operações estruturadas de derivativos, na BM&F, cujo lastro inicial todo mundo desconhece (as tais cadernetas do ‘seu Biu’).
Esses derivativos estão sendo negociados como se fossem títulos sérios, com fortes garantias reais, nos mercados de 73 países, sem que ninguém imagina que o títulos lançados são tão frágeis.
Até que alguém descobre que os bêbum da Vila Carrapato não têm dinheiro para pagar as contas, e o Bar do ‘seu Biu’ vai à falência. E toda a cadeia sifú.

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14 comentários sobre “Uma forma didática de explicar a crise americana

  1. Fabiana

    pois é Dr Insônia, acho que só o Luis Inácio não vê que não estamos assim tão imunes á crise, senti de uns 10 dias pra cá principalmente uma diminuição considerável no volume de orçamentos /ligações aqui…e quando meu ramo dá uma parada é um péssimo sinal de que bons momentos não virão por ai…

    mas….com crise ou sem crise, Lula ou sem Lula tenho que continuar batalhando. fazeroque?????

  2. Vanessa da Mata

    Valeu pela explicação Sr. I! Eu não tava com paciencia pra ficar assistindo/lendo reportagem sobre o assunto… será que alguém pode enviar esta explicação pro LULA MOLUSCO pra ver se ele também entende?

  3. Lenita

    Sr. I, temos um certo trauma com essa coisa de “instabilidade financeira nos States”. Meu avô, industrial em 1929, perdeu tudinho, aqui, com o crack da Bolsa, lá. Foi o maior sufoco. Por isso, hoje… que meeeda!

  4. marcel dos santos

    bom. a crise economica e nada mais nada menos que uma licença maternidade que estamos passando ao logo da Vida;.

    baseado em que ….

  5. Cosme Morais

    O lulalelé falou da crise econômica assim:
    – ” A gente tava comendo o pão que o diabo amassou, e agora que a gente tá comendo um pãozinho com mortadela, eles querem que a gente coma de novo o pão que o diabo amassou”.
    Agora com essa explicação, ele vai “intender tudinho”.
    Um abraço

  6. nus, c num tem nossão de como ajudo eu,
    tava queredo entender, para poder ficar + atualizado e saber o nucleo da crise, (dai qdo c fala q num tem previsão para o fim dela! só coloca entre parntese o q quer dize lastreado?

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