Crise de identidade no pós parto

Ao ler o capítulo “Ninguém me disse que ter filho era isso”, do livro que eu ganhei da Lu, o texto me fez lembrar de uma situação tosca, tosquíssima na verdade, ocorrida há 3 anos.

Quando o João foi ao pediatra pela primeira vez, com 7 dias de vida, foi que minha ficha caiu legalzão que agora eu era A Mãe Dele. Eu não era mais a Jane, com uma certa individualidade, ou seja, eu não era eu.

Eu avisei no título que se tratava de um momento-crise, já me recuperei (quase).  

A recepcionista da clínica, para preencher a ficha, me perguntou:

– Nome da criança, por favor.

– João Henrique Murback – respondi orgulhosa.

– Nome da mãe?

– Jane Murback, já sou paciente do dr Rubens – disse eu, como se ela tivesse interessada em saber quem era o meu ginecologista. Tava difícil de eu me tocar que agora estávamos indo na clínica pra visitar o pediatra do meu filho, o dr Marcos. Não estava mais lá para ver o meu médico, dr Rubens, que fez meu pré-natal and parto.

– Nome do pai?

– José Murback – respondi com cara de pastel e sem prestar atenção.

– Paciente João Henrique – Olhei pra todos os lados, e levei alguns segundos até perceber que a enfermeira estava ME chamando (??). Peguei o “paciente” e dei aquela olhada básica pro Alê, como quem diz: – Pega tudo aí. Por por tudo entenda-se bebê conforto, bolsa do paciente, bolsa da mãe do paciente (por que a gente insiste em andar de bolsa?), mantas, e os trocentos acessórios necessários para sair de casa com uma criança recém nascida.

Já na sala do dr Marcos –  hoje em dia tio Marcos, Marcos, Marcão – recebi várias instruções para o uso: – 2 gotas de ADtil por dia, peito em livre demanda, colo. Ah, e pára de chorar Mãe (mãe sou eu? eu não sou a Jane?), senão seu leite seca. 

Até que ele vira pro Alê e diz:

– Viu, hã, José, você precisa….

– José? – Perguntou o Alê, que adora perguntas, mas dessa vez realmente ele não estava entendeaaando nada.

Foi aí que eu berrei, interrompendo:

– Putz, falei o nome do MEU pai quando a recepcionista perguntou. Foi mal. Ele chama Alexandre, dr Marcos.

É. Não é facil perder o posto de centro do universo.

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20 comentários sobre “Crise de identidade no pós parto

  1. Faz trempo que venho xeretar aqui mas nunca deixei um comentário…. Adoooooooooro isso aqui!!!
    Que jogue a 1ª pedra a mulher que nunca se sentiu assim ao virar “mãe”. Minha crise (tb quase superada) já começou na maternidade! Meu nome estava na porta, em todas as fichas e na bendita pulserinha…em vão… “Como a mãe está hoje?” ” A mãe dormiu bem?” “Deixa eu ver como está o peito mãe…”
    Ok…achei que tinha acabado… Mas agora tenho que me conformar que nas reuniões escolares também sou apenas “mãe”.
    Coisas que só mulher entende!!!
    Beijooooos

    Jane diz: Tati, comente sempre viu.

  2. drika oliveira

    kkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

    eh assim msm…

    mãezinha, tem de levantar pra dar o primeiro banho no seu bebe…

    eu falo que nós mulheres na verdade não xistimos..
    – primeiro somos a filha – no meu caso as pessoas falavam… não conhece? é a filha do seu adeil… na padaria… anota aih na ficha do seu adegil… oi, tudobom? vc é a filha do seu “deil” bé?

    – depois nos casamos, passamos a ser a esposa do – no meu caso de novo, do marcondes…
    olá, essa é minha esposa…(nem se dá ao rtabalho de falar nosso nome).. queria t apresentar, essa é minha esposa…

    – depois somos – como vc já comprovou rsrs – a mãe…
    imagina eu então… mãe de quatro meninos… sou conhecida apenas como a mãe dos meninos… a mãe do kelvin, do nícolas, do thales e do brian… affffffffffffffeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeee

    nunca fui eu… humpf!

    Jane parabeniza: Mãe de quatro meninos? Benzadeus !

  3. Não consigo me imaginar em uma situação que não serei mais a rainha da casa. Deve ser estranho no início, mas eu espero que com o tempo a gente se acostume.

    Jane alivia a aflição alheia: Acostuma sim, Priscila. Fazer o que né? HEHEHEHE. Brincadeirinha hein.

  4. Flavitcha

    Eu ainda em fase de adaptação, hehehehehe, Léo com quase 7 meses e eu ainda carregando um montão de coisas, hahahaha, chega a ser cômico, mesmo sabendo que não precisa de tudo aquilo, nós, “mães” prevenidas e neuróticas que nos tornamos pensamos… “e vai que precisa…”
    Minha fase braba de crise graças ao nosso querido Deus já passou, quanto a ser mãe já me adaptei, mas quanto a deixar de ser a Flavia… bom… tá difícil, rsrsrs. Bjs!

    Jane concorda: Aff, as malas são um caso a parte.

  5. nanci

    oi jane,
    sabe q eu nao suporto q troquem MEU NOME e ser chamada de maezinha, mae….Logo na matertnidade, no primeiro maezinha q eu ouvi ja fui consertando- por favor me chame de Nanci, rsrsr Antes de ser mae eu tinha uma identidade, um nome proprio, pára com esse papo de ser só maezinha…
    Por acaso seu médico eh o Dr. Rubens do Val>
    bjs

    Jane diz: Rubens Siqueira, Nanci.

  6. Emiko

    Janeeeeeeeeeeeeeeeeeeee,so vc mesma pra me fazer morrer de rir!!!kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

    Adooooro seus posts,alias,senso de humor eh com vc mesma!!!!Bjaooo

    Jane intima: Vê se comenta, Japa!

  7. Lu Brasil

    Acho que eu sou o unico ser da face da terra que não se importa e ACHA LINDO ser chamada de mãezinha nos consultorios, hospitais e similares.
    Como eu sou do contra!

    Jane viaja: Será que isso que é ser empoderada?

  8. Aii acho q nunca vou me adaptar, quero sempre ser euuuuu!!

    Gente, ja arrumei até briga com meu ‘namorido’ só porque eu disse q não quero usar o sobrenome dele quando casarmos!!
    Sempre fui a ‘Piti Fritscher’ e não quero mudar. Eu sei, sou um pouco egoísta demais mas não temos q nos anular por marido, filho ou outros…

    Jane, eu adorooooo teus post, sempre me identifico e dou muita risada!!

    bjos

    Jane concorda: É isso aí Priscilla. Eu também não coloquei o nome do meu marido, não. Ainda se fosse um Mendes Caldeira Dutra Silva e Silva, vá lá. E também sou egoísta nesse ponto de se anular por causa dos outros. Sou convicta de uma coisa. Um dia a gente manda a fatura. Nem que for lá na frente, a gente acaba cobrando… Bjo

  9. Geraldine

    Kkkkkk, a minha ficha caiu qdo vi na pulseirade identificação do JM escrito”RN de Geraldine dos Anzóis”, kkkkkkk. Era meu, só meu e, er ,e agora???

    Jane lembra: Geraldine, na maternindade eu ainda pensava que estava no hotel. Minha ficha caiu aqui na garagem do prédio HEHEHEHE.

  10. Vanessa

    kkkkkkkkkkkkkkkkk…..
    Jane, só você amiga…
    Ainda bem que passou, né!?
    Pergunta básica: E quando vem o proximo???

    Bjs

    Jane Desconversa: Ai Van, preciso empoderar pra criar coragem.

  11. Que ótimo, me SUPER identifiquei, sempre passo por aqui e nunca comento, mas esse post “era pra ser meu”, rs.

    O ADTIL, e o INDIVIDUALISMO que só cai quando a gente ouve do DR. o SEU filho MÃE…é muito eu.

    Minha pequena ta com 1,5, já me acostumei -um pouco, bem pouco- com a situação…mas saber que não sou a unica nesse mundo dando uma de perdida de mãe, é otimo!

    Adorei.

    Beijos

    Jane pergunta: 1,5 o que? meses ou anos? Ai, bebê me dá medaaaaa.

  12. Hahahahahahahaha
    Jane, já disse que adoro seus posts? Se não disse, to dizendo NOW!
    É bem assim mesmo… comigo a mesma coisa, mas o que mais me deixou doida mesmo, foi algumas “amigas” terem sumido, depois que tive o Bruno, credo, me sentia a verdadeira leprosa.
    Não sei porque ainda existem pessoas no mundo que pensam, que porque temos filhos, deixamos de ser “gente”.
    Bjoooo

    Jane diz: Val, será que é porque a gente de ser gente e passa a ser mãe de gente? Brincadeiras a parte, tem muita gente boa que depois que é mãe só sabe falar nisso, só pensa em fralda, e acha que quem não tem filho está realmente interessado em ver a “fita” do parto. Acho que por causa desse tipo de pessoas, todas nós, gente humana normal e catequizada pagamos o pato. Só pode.

  13. Nanci

    Jane, aproveitando o comentario da Val, fica a dica para vc fazer um post sobre suas visitas aos amigos sem filhos.Eles entendem q crianca eh crianca, quer brinca no Ape arrumadinho deles, ir ao banheiro 35 vezes e lavar compulsivamente as maos com o sabonete liquido do lavabo, deixar as impressoes digitais na TV da sala- mesmo q o modelo seja ultrapassado- nao necessariamente uma LCD, rsrsrs>
    Nunca mais visitei ninguem……….
    bjs

    Jane diz: É Nanci, poderia render um post mesmo. Eu acho que infelizmente se nossos amigos não aceitam nada fora da ordem, é complicado ir com a criança visitar. Mas daí a gente parar de sair também não é o caso né. É a velha e boa medida do bom senso. Que por sua vez não serve de medida, porque bom senso é o tipo da coisa que todo mundo diz que tem. Ou seja, é o problema do ovo e da galinha. Bjo

  14. Letícia

    Oii Jane, quando li sua história, me vi ali, naquele consultório, mas como a mamãe da Luiza.
    Ela está com 1 mes agora e passei pela mesma situação. Mas choque maior eu tive enquanto me passavam a carteirinha de vacinação dela e as indicaçoes de quais vacinas e datas seguir! Nossa, ali caiu a minha ficha: eu sou a mãe! Quantas responsabilidades, e eu que nunca tinha cuidado nem de um cachorro antes, agora tinha aquela fofurinha tao frágil chorando como se estivesse implorando os meus braços!
    É uma sensaçao incrível, né!
    O único probleminha é o pai dela, meu noivo, nossa, depois do parto parece que peguei nojo dele, não consigo nem imaginar ele me beijando, é ele entrar por uma porta pra eu sair pela outra… será que alguém já passou por isso também? Será que é culpa dos hormônios ou é falta de amor mesmo? Estou a ponto de terminar o noivado! Ai, acho que acabei usando sua página pra desabafar!

    Um grande abraço, adoro suas histórias!

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