Ano novo, vida velha

Eu não acredito em promessas de Ano Novo. Na verdade, não acredito em muita coisa, acredito basicamente na Química.

Além disso, tenho certeza que mantenho muitas situações por pura falta de energia para mudar. E também tem um outro problema – bem grave – que é que tem certas dores sem as quais não sabemos viver.

Parece estranho, mas pensem bem se com vocês também não é assim. Tem certas dores que tem cadeira cativa na nossa vida, e que são dores de estimação. E são tão bem cultivadas e alimentadas que se sumirem de nós, vão deixar um vazio tão grande, mas tão grande, que é melhor deixar como está.

Por isso não acredito em promessas de ano novo. Mudar, mas mudar mesmo, é revolucionário. E o desejo de mudança não pode surgir assim, num clique.

Conhecem essa música?

Dor Elegante – Zélia Duncan  (Composição: Itamar Assumpção – Paulo Leminski)

Um homem com uma dor

É muito mais elegante

Caminha assim de lado

Como se chegando atrasado

Andasse mais adiante…

Carrega o peso da dor

Como se portasse medalhas

Uma coroa

Um milhão de dólares

Ou coisa que os valha…

Ópios, édens, analgésicos

Não me toquem nessa dor

Ela é tudo que me sobra

Sofrer vai ser!

A minha última obra

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19 comentários sobre “Ano novo, vida velha

  1. Pingback: Tweets that mention Ano novo, vida velha « Mulheres (Im) Possíveis -- Topsy.com

  2. Tambem nao acredito nisso nao. Mudar, se a gente quiser, muda um pouquinho a cada dia. Eu se fizesse alguma lista revolucionaria de ano novo nao iria cumprir nenhum item.
    E quanto as dores é verdade. Dor velha ou dor nova a gente precisa sim. SE nao tivesse qual o prazer na hora que nao tivesse nenhuma dor?
    Agora o que mais me irritou nisso tudo foi eu nao ter visto a promoção, nao ter comentado e nem concorri….raiva…raiva….
    Diga: “bem feito” (diga nao que vou ficar com mais raiva.)
    beijocas

  3. Promessas de Ano Novo? A única q faço é a de ser feliz! E essa eu corro atrás. Mas tem aqueles dias, como a dorzinha que tem cadeira cativa, que eu fico tristinha, na minha, não quero mto pensar na felicidade, só quero curtir uma fossinha. Ser feliz o tempo todo tbm é complicado!
    E, sim… toda vez q faço essas promessas ou aquela coisa de ‘101 coisas em 1001 dias’ (ou algo parecido), uma semana depois eu olho praquilo já riscando as coisas q vou abandonar.
    Acho q, na verdade, são promessas de abandono pro Ano Novo, rs

  4. sabe que tú tens razão? Pensei em uma dor que eu não gostaria que jamais fosse embora, é a raiva da minha sogra, esse sentimento eu não abro mão!
    fazer o que,né?Cada um tem a sogra que merece, ou não?
    Beijos!!!

  5. Ai, Jane… Eu também concordo e entendo o que você quer dizer. Se as mulheres não tiverem do que reclamar, imagina que desespero!
    Aliás, você é minha ídola!
    EU QUERO SER COMO JANE MURBACK!
    Tanto, que eu até estou escrevendo um blog (não igual ao seu, que eu não sou nenhuma psicopata, por favor!). Ficaria muito honrada de você me fizesse uma visitinha e um comentário. É. Se não, como vou mostar pra minhas amigas que a Jane passou por lá?!
    Bêjo! Feliz dia de hoje, a cada dia.

    http://issoaquiloalguns.blogspot.com

  6. Jane, não conhecia esta letra. Muito interessante e verdadeira, porque há pessoas que, se lhe tirassem o direito a anunciar a própria dor por aí, acho que ficariam perdidas na vida. O que não é o seu caso.
    Um bom ano, cheio de graça e de graças!

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