Quando nasce o pai

Na semana do dia dos pais, fiquei pensando sobre como se forma o pai, já que o homem não fica grávido (pela graça de Deus Pai, senão seria um drama nacional, com repouso e gemeção durante 9 meses) e apenas vive sua nova situação depois do fato consumado, ou seja, depois do nascimento do filho.

Também tenho ouvido na rádio Eldorado a série Armadilhas da Paternidade, e parei pra pensar sobre as tais “armadilhas”.

Como já falei, fui uma grávida muito gente fina (e modesta). Eu era magra, saudável, disposta, não tinha enjôo, ou seja, era uma companhia e tanto pro meu marido! Ele, por sua vez, nunca precisou correr comigo pro médico ou comprar detergente de coco pra eu beber. Resumindo, tudo normal, com a diferença que uma barrigona estava entre nós, além de ser bem divertida aquela vida de ultrassons e expectativas.

Então, acho que o Alê não caiu nas “armadilhas” da paternidade durante a gravidez, mas depois ….

Depois que o João nasceu, logo depois, no minuto seguinte, toda a minha fé foi transferida para o Alê. Ele se tornou pra mim numa espécie de Jesus Cristo em forma de marido perfeito. Eu achava que só ele me salvaria de qualquer coisa que acontecesse comigo ou com o João. Os detalhes são que: 1 – ele não tava ali pra salvar ninguém e 2 – nada nos aconteceria, ou melhor, nada que necessitasse de salvação, no máximo um copo de água ou uma bomba tira-leite.

Isso foi super confuso porque saí da posição central de “Grávida de Revista” para as posições de mãe – posição desconhecida e meio desapontante – e para a de mulher totalmente dependente, o que dispensa comentários.

E assim nasceu o pai do meu filho, colocado sobre um pedestal de poder e glória. E cobranças, muitas cobranças.

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14 comentários sobre “Quando nasce o pai

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  2. Que interessante! Mas acredito que para o Ale, o melhor da paternidade ainda está por vir. Quando o João começar a falar mais ativamente das interações sociais dele, ou então daquelas coisas que só homens conseguem entender, tipo a cumplicidade de uma tarefa mal sucedida… ahehaeheaheaa
    Bjo Jane!

  3. Fatinha Estrela

    Nossa Jane parabénsssssss pela postagem , tbm vivenciei quase a mesma coisa q vc na questão de “Grávida de Revista ” mas depois a minha histórinha mudou um pouquinho mas o final é igualzinho . “E assim nasceu o pai do meu filho, colocado sobre um pedestal de poder e glória. E cobranças, muitas cobranças.” Rsssssssss e bota cobranças nisso !!!!
    Bjsssssssss estou siguindo seu blog se quiser fazer uma vistinha estou no :
    http://fatinhaestrela.blogspot.com/

  4. Cara eu estava conversando sobre esse assunto com meu marido. Eu disse a ele que não queria engravidar tão cedo, não antes de terminar de cria-lo, sim meu marido é lesado!
    Disse a ele que era simpática a idéia da adoção, ele disse ser contra com o primeiro filho do casal, pois ele acredita que os nove meses são fundamentais para o amadurecimento e o nascimento do novo pai. Ágora lendo o seu post, eu acredito que faz sentido.
    Beijos cumadi!
    Um cheiro especial no João!

  5. Oi, Jane!
    Não conheço a experiência da maternidade e honestamente, não pretendo viver isso tão cedo. E meu marido meio que apóia.
    Gosto da sua honestidade quando fala nesse assunto.

    Feliz dia dos Pais pro Ale.

    Um abração!

  6. Que lindo!! Deve ser uma emoção sem fim…por pai e pra mãe, claro…só que a mãe, sente desde que foi fecundado…o pai, no máximo qdo o bb mexe na barriga…rs…mas cada um com sua importância… (detalhe: pitaco de quem nunca teve esse sensação…não tenho filhos, mas acho que ta valendo né?) bjo enorme!!

  7. Keka

    J., como sempre, vc é o máximo com as palavras!
    Gostaria de saber a opinião do Alê sobre a paternidade e em que momento ele se sentiu como um pai de verdade, não só aquele da imaginação e da expectativa.

    Ótimo texto!

    E parabéns para os pais e…para as mães e são pai/mãe.

  8. Pingback: Os pais nascem antes « Pensado Bem…

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