Só um tapinha

Sabem, eu nunca apanhei. E não venham com piadinhas do tipo: “por isso que você ficou assim”. Não que eu não tenha merecido uns safanões, mas lá em casa as coisas eram resolvidas de outro jeito, ou conversando ou esperando a poeira baixar.

Devo esclarecer que sou contra o lance de deixar a poeira baixar, não acho que esconder sujeira embaixo do tapete seja uma boa saída, e também não acho que esperar que os problemas se diluam seja a solução.

Na verdade, nem sei se meus pais não me batiam por convicção ou por um pouco de culpa, já que minha mãe sempre trabalhou e eu era filha única (sinônimo de solidão e recalque,  tadinha #ironia).

Lendo o post da Lu Brasil sobre bater em criança e após umas discussões no twitter, resolvi tocar nesse assunto tão polêmico e ao mesmo tempo tão particular, já que cada um cria seu filho da maneira que acha certa e sempre buscando dar o seu melhor, com certeza.

Eu devo ter batido no João umas 2 vezes na vida, e sempre foi meio que no “susto”. Por exemplo, ele ficava sentado no banco de trás chutando o banco do passageiro, e eu mandando parar. Na terceira (ou décima) vez que eu mandava parar, em vez de conversar, eu virava pra trás e dava uns tapas. E o pior é que esses tapas “susto” pegam onde Deus quiser…

Acontece que quando eu bati no João não me senti ensinando, ou mesmo repreendendo. Me senti descontando nele minha frustração, minha raiva, minha falta de controle. Sou muito mais eficiente castigando, colocando ele pra pensar ou negando algo que ele queira, tipo um brinquedo novo, do que batendo. O pós tapa me deixa realmente com vergonha de mim, e eu tenho certeza que nem disfarçar eu consigo.

Ou seja, se eu bato no meu filho eu fico com vergonha de mim e dele. Como isso poderia funcionar?

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10 comentários sobre “Só um tapinha

  1. elena

    olha, esse é um assunto polêmico e dificil. Tenho uma filha de 10 anos na qual cheguei ao ponto de dar uns safanões (só tapa e leve, tá) umas 2 vezes na vida. De maneira geral ela é ótima, e dificilmente precisei chegar às vias de fato, muito embora eu e o marido sejamos bastante rigorosos com ela.

    Ocorre que tem hora que a criança te leva ao limite, e eu acho que se voce der um tapinha “sinalizador” – não estou falando de espancamento – pelo menos essa linguagem ela vai entender. Na maioria das vezes (óbvio que não estou falando dos loucos de plantao) o pai/mãe cansaram de falar, ameaçar, ser didático e tem uma hora que a paciencia esgota mesmo.

    óbvio falar que quando o pai e a mãe estão com tempo e paciencia, não vão bater, normalmente a gente bate quando tá de saco cheio. Mas não acho que a gente deva sentir culpa disso, até porque estou considerando que bater é uma situação extrema, limite , excepcional. Porque se tiver que bater todo dia, é sinal de que alguma coisa tá muito errada e não vai surtir resultado mesmo.

    Olhando para nossos pais, talvez para nós mesmos, é ridiculo falar que a maioria ficou “traumatizada” por levar um beliscão ou puxao de cabelo da mãe ou do pai quando aprontava alguma.

    Vamos deixar de frescura e parar de se culpar por tudo. Outra coisa, vamos botar limites nos filhos, porque do jeito que a coisa vai, a gente fica se culpando de dar um beliscão, e tem uns por ai que saem aprontando as piores coisas na vida , inclusive contra os pais, por acharem que são reizinhos e podem tudo, porque cresceram com toda liberdade pra fazer o que queriam.

    E vamos botar o governo prestando conta do $$ público, ao invés de querer determinar de que forma educamos nossos filhos.

    1. Jane,
      eu não tenho filhos, não sei como é isso na prática, mas na teoria penso: Se eu apanhar de alguém hj, vou à delegacia contra agressão, por que eu iria bater numa criança, um filho, que não pode se defender?? É difícil imaginar né? mas como eu disso, eu só tenho a teoria..rsrs

      bjks

  2. Pingback: Tweets that mention Só um tapinha « Mulheres (Im) Possíveis -- Topsy.com

  3. Lenita

    Questãozinha polêmica, esta.
    Concordo com o que disse a Elena.
    O que separa as palmadas educativas (?) e a demonstração da saturação é um fio de cabelo.
    Um conselho: na hora que pintar a vergonha por ter batido, pense no quanto a criança aprontou até chegar àquele ponto.
    De toda forma, o ideal é jamais bater.
    (A teoria é sempre maravilhosa!)

  4. Cyntia

    Jane, Já confessei no Tuí que eu era a favor das “palmadas educativas”. Era… porque depois dessa onda de discussão sobre as palmadas eu resolvi parar pra pensar e revi os meus conceitos.

    De uns tempos pra cá, resolvi parar de bater (bater é meio forte, né?) na Laura e convenci o pai dela e fazer o mesmo. E não é que o resultado foi melhor do que o esperado… A Laura vem se transformando numa criança mais amável e carinhosa e além disso, ficou mais obediente.

    To esperando ter um tempo para fazer um post no blog sobre a minha experiência com detalhes.

    Um beijo

    Cyntia

  5. Acho que o melhor é conversar e não gosto nem do tapinha na mão… bater é falta de equilíbrio e como você mesmo disse o tapa vem de supetão e sabe-se lá onde vai pegar… violência gera violência… o certo é baixar da altura do filho, conversar e falar o que seria o certo a ser feito… porque muita gente (mãe, pai, irmã mais velha, professora, etc) gosta de criticar uma criança e fala para ela não fazer mais aquilo reforçando o comportamento errado… o certo a se fazer é dizer o que esperamos da criança. Exemplo: fillho em pé em cima da mesa. Ao inves de dizer: não pode subir na mesa, você tá ficando louco, ai tá cheio de comida… etc etc deve ser dito: desce da mesa meu filho (comportamento correto ao invez de não pode subir na mesa), mesa é um lugar onde tem alimentos que vamos comer e devem ser protegidos de bichinhos, etc etc… é difícil praticar porque crescemos escutando não não e não mas devemos tentar… pelo menos estou ensaiando com meu irmãozinho!
    Sei que palmadas de pais nao traumatizam mas sinceramente não educam… a gente passa a ter medo dos nossos pais e não repeito… o que lembro das palmadas da minha mãe era a gente rindo da cara dela e correndo pra não apanhar (sabíamos que a tinhamos tirado do serio e que aquele era o ponto fraco dela) e dos coques do meu pai (sim ele dava coque igual o sr madruga no chaves, rs) era que ele virava as costas e faziamos lingua ou mostravamos o dedo do meio… fazíamos escondidas (eu e minhas irmãs) dele mas isso mostra total falta de entendimento e de respeito…
    Daí crescem filhos com medo do pai, fazendo coisas escondidas… ao invés de filhos amigos do pai que tiram duvidas e sabem onde encontrar apoio…
    Depois desse texto todo quero dizer que não sou a favor da palmadinha mas que também não sou a favor da lei… acho que não tem como controlar isso e vejo com uma polêmica levantada pra esconder falhas de governo em época de eleição… Pelo menos serviu para reflexão né?
    beijos

  6. Bom Jane, cada caso é um caso. Depende muito de cada criança. Eu tomei uns baita tapas quando era mais novo… E vou dizer, não fiquei com sequelas nenhuma. Não sei se merecí ou não… (mwahaha)

    Mas de fato, eu nunca prestava atenção ao que meus pais diziam. Mais especificamente a minha mãe. Aquelas palmadas de lado na altura dos joelhos enquanto falava comigo serviram muito bem…
    Já meu pai engrossava a voz e conversava comigo falando sobre o que eu entendia e sobre o que ele entendia mais do que eu. Também funcionava muito bem. Mas se a minha mãe fizesse a mesma coisa, não funcionaria, e eles sabiam disso!!
    (sua mãe vem aí!) O.O
    (seu pai vai conversar com voce!) O.O

    Não sei qual dos métodos vou aplicar com meus filhos, cada pai sabe o filho que tem e como ele reage a estímulos. Espero ter essa sensibilidade no futuro. Até lá, eu vou prestar atenção nos pais e filhos a minha volta.

  7. Jane, meu filho mais velho as vezes chorava e gritava muito no carro durantes os tres blocos de distancia que separavam a creche de casa. Como eu ja tinha passado do limite ha muito tempo com trabalho e engarrafamento, eu tava de saco cheio daquele menino estridente que se convulsionava no carro. Tinha vontade de descer o braco !! O que eu fiz pra ele parar (e para nao dar o primeiro tapa) ?. Ameacei: “Vou parar o carro no acostamento”. Ele ficou extremamente impressionado, parou o chorar na hora. Acredita que ate hoje minhas criancas se impressionam quando em auto-estrada eles estao se pegando e gritando e eu paro no acostamento ou em estacionamento em postos de gasolina ? Se calam e se acalmam na hora. As vezes eu ate saio do carro…

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