Apego versus Masoquismo

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“Pratique desapego”.

Esse imperativo meio que domina a minha vida, não porque eu seja exatamente uma pessoa livre do desejo de acumular, mas porque a falta de espaço me obriga a tirar o velho pra entrar o novo, tirar o que não uso há algum tempo para liberar lugar pra algo mais usável entrar.

E até que pra mim não é tão difícil desapegar. Com dois minutos de diálogo mental comigo mesma consigo concluir o que deve ir morar em outra casa (ou outro corpo) e o que merece ter o direito de ficar mais um pouco.

Com roupas, por exemplo, é bem fácil. E eu não vejo vantagem nenhuma em guardar aquela calça feia, do tempo do ronco; prefiro trocar por uma novona e lindona. Bem simples isso. O que fico pensando é se guardar uma calça tamanho 38 de quando eu tinha 15 anos é apego ou masoquismo. Talvez fique com a segunda opção.

Dia desses, fazendo uma faxina no gaveteiro do meu escritório, me deparei com agendas e cadernos de anotação de um passado muito muito distante, coisas que eu guardava por algum tipo de sentimento que não classificaria como apego, de forma nenhuma. Ao folhear as páginas, não senti  saudade ou alegria por alguma recordação lá escrita. Senti sim um frio na espinha, uma lembrança doída ou um nó no estômago. E confesso que mesmo assim foi muito difícil jogar os papéis fora.

Que sentimento é esse?

Acho que é bem difícil separar aquilo que eu guardo por ser uma recordação boa de uma recordação ruim. E, infelizmente, tenho certeza é bem difícil me livrar do que me causa mal. Também não acho que é bom sair fazendo o rapa em tudo, não vejo nada de mal em ter lembranças guardadas. Só que só vale a pena se não for pra sofrer.

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18 comentários sobre “Apego versus Masoquismo

  1. Aqui em casa, te confesso, é um sofrimento.
    Marido adora guardar tranqueiras, se acha um parafuso na rua, quer guardar como se fosse um diamante.
    Se troca uma peça no carro, quer me mostrar onde estava o problema/desgaste e pimba…a dita cuja vem pra casa.
    É claro que tenho que fazer um rapa diário e cantar o mantra p/ ficar calminha.
    Beijocas

    Fátima.

  2. Jane, eu tenho apego e desapego, tudo depende do meu momento. Tem épocas que qdo resolvo fazer uma “faxina”, faço três pilhas que chamo de gurdar, lixo e doar. Se estiver no dia bom, vai tudo pro lixo e doação, se estiver melancólica, volta tudo de novo.
    Minhas agendas, lá do tempo do ronconcon, ainda não consegui me desfazer. Sempre q vou faxinar esta área, perco o maior tempão, pq abro, leio aquelas coisas q escrevia, dou risada de mim mesma de algumas babaquices, mas pimba, elas voltam pro armário novamente…

    Bju

  3. Eu dou tudo até coisas que depois me arrependo de ter dado!!!
    O difícil é meu filho! Ele tem 5 anos e pra dar qq brinquedinho é um sufoco! Explico, mostro situações, mas ele faz cara de triste, diz que foi a tia que deu, a madrinha e por assistir Toy story ele acha que seus brinquedos ficarão muito tristes sem ele! rs
    Aí já viu, o resultado são caixas e mais caixas em casa e na avó!
    Somente na época de Natal ele amolece o coraçãozinho e abre mão de algumas coisas, mas já sabendo que vai ganhar uma pilha de coisas novas!
    Alguém me dê uma dica de como fazer uma criancinha á se desprender de coisas materiais que servirão para quem não tem nada?
    bj,
    Talitha

  4. Como sempre, um delicioso texto!
    A dificuldade em lidar com o desapego sempre esteve presente na minha vida.
    Uma técnica que uso é pedir para outra pessoa dar novo destino a certas tranqueiras guardadas.
    Bj,
    Seo Rubs!

  5. Milena Abdalla

    Jane,

    Confesso que como vc, no meu caso é difícil me desfazer de coisas, às quais tenho apego sentimental… Tipo, guardo a 1ª cartinha que Ricardo (meu filho) escreveu na escola, o 1º dentinho, o cartão que meu marido fez no nosso 1º mês… Quando vou fazer faxina é um sofrimento só!!!!! Quanto a roupas, bolsas e sapatos sou até bem desapegada… Sempre penso que existe alguém que vá dar uma destinação melhor que eu!!! Ainda hoje tenho uma caixa cheia de tranqueiras do tempo do ronco!!!!!
    Que tal uma corrente do desapego??? Para pessoas que como nós, temos apego por alguma coisa!! Fica a dica!!

    Beijos,

    E aí, queres alguma coisinha daqui (quem sabe uma geléia ou um bombom)???

    Milena Abdalla

  6. Oieeee!
    Aqui em casa pratico desapego de roupas e “badulaques”, mas cartõezinhos e agendas antigas tb não consigo?Porque ficamos naquelas de relembrar o que já passou??
    Um beijo linda!

  7. Na Holanda ha uma tradicao (e acredito que em varios paises de clima temperado) que se chama: “A grande limpeza de primavera”. E’ a hora de limpeza profunda da casa e de jogar coisas foras. Tambem inclui jogar fora ideias antigas, aquele emprego que nao da mais, gente chata, cancelar assinaturas de revistas e jornais, doar roupas, etc. Muita gente se angustia com essa renovacao, nao tem desprendimento. Prefere ficar entupindo tudo e postergando. Eu, hein ?

  8. Bruna Andrade

    Oii Jane,
    Você é um achadoo! Explico: blogueira de assuntos “mulherzinha” e engenheira! shuahsu Super me identifiquei!
    Sou aspirante a engenheira mecânica, faço facul ainda. Sobre o assunto do posto, sou igual a leitora Dany, guardo cadernos e “rabiscos” da pré escola e minha boneca “meu bebê”, podee? Segundo minha mãe meus filhos vão querer ver essas coisas, então, pode contar que vai ficar no minimo mais 10 anos guardados, pois ainda tenho 18. Por fim, deixo uma sugestão: escreve sobre a relação das mulheres na engenharia!? Beeeijos.

  9. Douglas Santos

    Olá Jane,

    Me chamo Douglas e trabaho na agencia de comunicação Núcleo da Ideia.
    Gostaria de ter o seu email prar conversarmos sobre uma futura parceria!

    Att

    Douglas Santos

  10. Olá Jane.

    Eita problema viu? Esse negócio de desapego, pois comigo é assim: Não tenho problemas, com roupas, e acessórios, sapatos e etc… (até por que não tenho muitos…kkk)… mas posso dá tudo isso e outas coisas sem prbolemas… mas quando tenho que fazer faxina, e o bilhete do marido, o recadinho da filha, o caderno da outra… é uma doidera, não consigo….. e então vamos juntando coisas e coisas… sei que muitas são importantes, é a nossa história, que precisa ser mostrada mais tarde pros netos, etc e tal…. então… tenho desapego e não tenho… vai depender do que será…..
    um beijão
    Telma Linhares

  11. Eu tenho muita dificuldade para me desapegar, seja de uma roupa, um objeto, uam pessoa, uma lembrança e até mesmo um momento. Sempre acho que no lugar “daquilo” ficará uma vazio enorme que nunca será suprido. E eu sei que tenho que mudar isso e superar!

    Excelente post. Muito bem escrito!

    Adorei o blog e tô seguindo

    Bjs

  12. Adna

    Confesso que fiz uma grandeeeeeeee limpeza aqui em casa também.Joguei muita coisa fora(vc n tem nocao de qtos sacos!),mas encontrei minhas agendas da adolescencia,uma pasta com cartas e recordacoes …nao tive coragem!Sao lembrancas que gosto de ter…boas ou ruins! Ler algumas das milhares de agendas me fez lembrar que eu já fui muitoooooooooooooooo mais feliz do que sou hoje! Isso é bom e ruim,n é?Ver um ex que voltei 3x com ele e as 3 ele me traiu dizendo q me amava incondicionalmente me fez rir bastante,mesmo pq até hoje ele me pede uma chance! hahahahahaha
    Minha conclusao foi: algumas coisas valem a pena a gente manter o apego!

  13. Ahh, eu infelizmente me apego muito as coisas. Isso é um problema porque nunca tem espaço o suficiente no armário e eu fico cheia de coisas inúteis das quais não consigo me livrar só porque imagino alguma situação remota pra qual a tal coisa possa servir…
    Beijos!

  14. Eu acho que esse sentimento é nostalgia. Eu sinto a mesma coisa muitas vezes. Não quer dizer que a coisa que você está guardando te faz mal; quer dizer, na minha opinião, que quando a gente remexe coisas antigas a nostalgia encontra terreno para fluir solta e a gente se angustia. Então, guardar ou não guardar as coisas têm a ver não só com apego, mas também com nostalgia, com saudosismo… nostalgia e saudosismo não são exatamente apego, são uma saudade dolorida. Sabe essa coisa da vida adulta que faz com que a gente, com o passar dos anos, olhe para algumas coisas e sofra pelo que a gente não foi, pelo que foi, pelo que fez, pelo que não fez, pelo que poderia ter sido? Não sei se é arrependimento, saudade ou pura fragilidade… enfim… é f@#$%!

  15. Pingback: Desapego e organizaçãoRenata Pinheiro | Renata Pinheiro

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